12- Comparação (tema: reforma agrária) O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas discussões sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passado e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor e os que são contra a implantação da reforma agrária no Brasil. Oliveira, Pérsio Santos de. Introdução à Sociologia. São Paulo, Ática, 1991. p. 101. Para introduzir o tema da reforma agrária, o autor comparou a sociedade de hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de comportamento entre elas. 13- Retomada de um provérbio (tema: mídia e tecnologia) O corriqueiro adágio de que o pior cego é o que não quer ver se aplica com perfeição na análise sobre o atual estágio da mídia: desconhecer ou tentar ignorar os incríveis avanços tecnológicos de nossos dias, e supor que eles não terão reflexos profundos no futuro dos jornais é simplesmente impossível. Jayme Sirotsky, Folha de S. Paulo, 5 dez. 1995. Sempre que você usar esse recurso, não escreva o provébio simplesmente. Faça um comentário sobre ele para quebrar a ideia de lugar comum que todos eles trazem. No exemplo acima, o autor diz "o corriqueiro adágio" e assim demonstra que está consciente de que está partindo de algo por demais conhecido. 14- Ilustração (tema: aborto) O jornal do comércio, de Manaus, publicou um anúncio em que uma jovem de dezoito anos, já mãe de duas filhas, dizia estar grávida mas não queria a criança. Ela a entregaria a quem se dispusesse a pagar sua ligação de trompas. Preferia dar o filho a ter que fazer um aborto. O tema é tabu no Brasil. (...) Antônio Carlos Viana, O Quê, edição de 16 a 22 jul. 1994. Você pode começar narrando um fato para ilustrar o tema. Veja que a coesão do parágrafo seguinte se faz de forma fácil: a palavra tema retoma a questão que vai ser discutida. 15- Uma sequência de frases nominais (frases sem verbo) (tema: a impunidade no Brasil) Desabamento de shopping em Osasco. Morte de velhinhos numa clínica do Rio. Meia centena de mortes numa clínica de hemodiálise em Caruaru. Chacina de sem-terra em ELdorado dos Carajás.Muitos meses já se passaram e esses fatos continuam impunes. O que se deve observar nesse tipo de introdução são os paralelismos que dão equilíbrio às diversas frases nominais. A estrutura de cada frase deve ser semelhante. 16- Alusão a um romance, um conto, um poema e filme (tema: a intolerância religiosa) Quem assistiu ao filme A rainha Margot, com a deslumbrante Isabelle Adjane, ainda deve ter os fatos vivos na memória. Na madrugada de 24 de agosto de 1572, as tropas do rei de França sob ordens de Catarina de Médicis, a rainha-mãe e verdadeira governante, desencadearam uma das mais tenebrosas carnificinas da História. (...) Veja, 25 out. 1995. O resumo do filme A rainha Margot serve de introdução para desenvolver o tema da intolerância religiosa. A coesão com o segundo parágrafo dá-se atrvés da palavra horror, que sintetiza o enredo do filme contado no parágrafo inicial. 17- Descrição de um fato de forma cinematográfica (tema: violência urbana) Madrugada de 11 de agosto. Moema, bairro paulistano de classe média. Choperia Bodega - um bar da moda, frequentado por jovens bem-nascidos. Um assalto. Cinco ladrões. Todos truculentos. Duas pessoas mortas: Adriana Ciola, 23, e José Tahan, 25. ELa, estudante. ELe, dentista. Josias de Souza, Folha de S. Paulo, 30 set. 1996. O parágrafo é desenvolvido por flashes, o que dá agilidade ao texto e prende a atenção do leitor. Depois desses dois parágrafos, o autor fala da origem do movimento "Reage São Paulo". 18- Omissão de dados identificadores (tema: ética) Mas o que significa, afinal, esta palavra, que virou bandeira da juventude? Com certeza não é algo que se refira somente à política ou às grandes decisões do Brasil e do mundo. Segundo Tarcísio Padilha, ética é um estudo filosófico da ação e da conduta humana cujos valores provêm da própria natureza do homem e se adaptam às mudanças da história e da sociedade. O Globo, 13 set. 1992. As duas primeiras frases criam no leitor certa expectativa em relação ao tema que se mantém em suspenso até a terceira frase. Pode-se também construir todo o primeiro parágrafo omitindo o tema, esclarecendo-o apenas no parágrafo seguinte. Bons estudos! by Drica^^
- Postado por: Drica Oliveira às 10h51
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8- Adjetivação (tema: a educação no Brasil) Equivocada e pouco racional. Esta é a verdadeira adjetivação para a política educacional do governo. Anderson Sanches , Infocus, n.5, ano 1, out. 1996. p. 2. A adjetivação inicial será a base para desenvolver o tema. O autor dirá, nos parágrafos seguintes, por que acha a política educacional do governo equivocada e pouco racional. 9- Citação (tema: política demográfica) "As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não chorarem mais, trazerem a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as costas e irem embora." O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado, falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo. Di Franco, Carlos Alberto. Jornalismo, ética e qualidade. Rio de Janeiro, Vozes, 1995. p. 73. A citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pela palavra comentário da segunda frase. 10- Citação de forma indireta (tema: consumismo) Para Marx a religião é o ópio do povo. Raymond Aron deu o troco: o marxismo é o ópio dos intelectuais. Mas nos Estados Unidos o ópio do povo é mesmo ir às compras. Como as modas americanas são contagiosas, é bom ver de que se trata. Cláudio de Moura e Castro, Veja, 13 nov. 1996. Esse recurso deve ser usado quando não sabemos textualmente a citação. É melhor citar de forma indireta que de forma errada. 11- Exposição de ponto de vista oposto (tema: o provão) O ministro da Educação se esforça para convencer de que o provão é fundamental para a melhoria da qualidade do ensino superior. Para isso, vem ocupando generosos espaços na mídia e fazendo milionária campanha publicitária, ensinando como gastar mal o dinheiro que deveria ser investido na educação. Orlando Silva Júnior e Eder Roberto Silva, Folha de S. Paulo, 5 nov. 1996. Ao começar o texto com a opinião contrária, delineia-se, de imediato, qual a posição dos autores. Seu objetivo será refutar os argumentos do opositor, numa espécie de contra-argumentação.
- Postado por: Drica Oliveira às 10h49
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5- Alusão histórica (tema: globalização) Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste-oeste e o mundo parece ter aberto de vez as portas para a globalização. As fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de competição. O conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema. 6- Uma pergunta (tema: a saúde no Brasil) Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os contribuintes já estão cansados de tirar dinheiro para alimentar um sistema que só parece piorar. A pergunta não é respondida de imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será respondida ao longo da argumentação. 7- Uma frase nominal seguida de explicação (tema: a educação no Brasil) Uma tragédia. Essa é a conclusão da própria Secretaria de Avaliação e Informação Educacional do Ministério da Educação e Cultura sobre o desempenho dos alunos do 3º ano do 2º grau submetidos ao SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que avaliou estudantes da 4ª série e da 8ª série do 1ºgrau em todas as regiões do território nacional. Folha de S. Paulo, 27 nov. 1996. A palavra TRAGÉDIA é explicada logo depois, retomada por essa é a conclusão.
- Postado por: Drica Oliveira às 10h48
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Um pouco de Língua Portuguesa
Ao escrever seu primeiro parágrafo, você pode fazê-lo de forma criativa. Ele deve atrair a atenção do leitor. Por isso, evite os lugares-comuns como: atualmente, hoje em dia, desde épocas remotas, o mundo de hoje, a cada dia que passa, no mundo em que vivemos, na atualidade. Segue abaixo dezoito formas de começar um texto. Elas vão das mais simples às mais complexas. 1- Uma declaração (tema: Liberação da maconha) É um grava erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda. Alberto Corazza, Istoé, 20 dez. 1995. A declaração é a forma mais comum de começar um texto. Procure fazer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor. 2- Definição (tema: o mito) O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão, também, as formas da ação humana. Aranha, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de Filosofia. São Paulo, Moderna, 1992. p. 62. 3- Divisão (tema: exclusão social) Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que o combate à marginalidade social em Nova York vem contando com intensivos esforços do poder público e ampla participação da iniciativa privada. Folha de S. Paulo, 17 dez. 1996. Ao dizer que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção que o parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-las na frase seguinte. 4- Oposição (tema: a educação no Brasil) De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabólicas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil. As duas primeiras frases criam uma oposição (de um lado/ de outro) que estabelecerá o rumo da argumentação. Também se pode criar uma oposição dentro da frase, como neste exemplo: Vários motivos me levaram a este livro. Dois se destacam pelo grau de envolvimento: raiva e esperança. Explico-me: raiva por ver o quanto a cultura ainda é vista como artigo supérfluo em nossa terra; esperança por observar quantos movimentos culturais têm acontecido em nossa história, e quase sempre como forma de resistência e / ou transformação. (...) FEIJÓ, Martin César. O que é política cultural. São Paulo, Brasiliense, 1984. p. 7. O autor estabelece a oposição e logo depois explica os termos que a compõem.
- Postado por: Drica Oliveira às 10h47
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Longe do meu lado Se a paixão fosse realmente um bálsamo O mundo não parecia tão equivocado Te dou carinho, respeito e um afago Mas entenda, eu não estou apaixonado A paixão já passou em minha vida Foi até bom mas ao final deu tudo errado E agora carrego em mim Uma dor triste, um coração cicatrizado E olha que tentei o meu caminho Mas tudo agora é coisa do passado Quero respeito e sempre Ter alguém Que me entenda e sempre fique a meu lado Mas não, não quero estar apaixonado. A paixão quer sangue e corações arruinados E saudade é só mágoa por Ter sido Feito tanto estrago E essa escravidão e essa dor não quero mais Quando acreditei que tudo era um fato consumado Veio a foice e jogou-te longe Longe do meu lado Não estou mais pronto para lágrimas Podemos ficar juntos e vivermos O futuro, não o passado Veja o nosso mundo Eu também sei que dizem Que não existe amor errado Mas entenda, não quero estar apaixonado... Renato Russo
- Postado por: Drica Oliveira às 23h14
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Descoberta Sentir... Ver... Ler... Ouvir... Sonhar... Amar... Sua ausência me perturba... Sua indiferença me choca... Sua falta me faz sofrer... Sofro e você não vê. Choro e você não ouve. Sorrio e você não compartilha. Amo e você não sente. into tua presença... Descubro teu mundo e você me descobre... Desnuda meus sentimentos... Desnuda minha verdade... Com isso, descubro seu desprezo. into tua presença... Descubro teu mundo e você me descobre... Desnuda meus sentimentos... Desnuda minha verdade... Com isso, descubro seu desprezo.
Mudei para tentar te fazer feliz. Descobri em minutos que não valia à pena. Eu valho à pena! Me ver feliz, vale à pena. Te fazer feliz também vale à pena. O que me basta não é só ser feliz. Mudar conduta não é necessário. Descobrir que amo é saber... Saber que amo é descobrir a alegria de ser feliz! Desconheço o autor
- Postado por: Drica Oliveira às 23h14
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Não é o mais brilhante, mas é o mais sútil, delicado e penetrante dos sentimentos. Não importa o tempo, a ausência, os adiantamentos, a distância, as impossibilidades. Quando há AFINIDADE, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto de onde foi interrompido. AFINIDADE é não haver tempo mediante a vida. É a vitória do adivinhado sobre o real, do subjetivo sobre o objetivo, do permanente sobre o passageiro, do básico sobre o superficial. Ter AFINIDADE é muito raro, mas quando ela existe, não precisa de códigos verbais para se manifestar. Ela existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixam de estar juntas. AFINIDADE é ficar longe, pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem, sensibilizam. AFINIDADE é receber o que vem de dentro com uma aceitação anterior ao entendimento. AFINIDADE é sentir com... Nem sentir contra, sem sentir para... Sentir com e não ter necessidade de explicação do que está sentindo. É olhar e perceber. AFINIDADE é um sentimento singular, discreto e independente. Pode existir a quilômetros de distância, mas é adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar..... AFINIDADE é retomar a relação no tempo em que parou. Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram. Foi apenas a oportunidade dada (tirada) pelo tempo para que a maturação pudesse ocorrer e que cada pessoa pudesse ser cada vez mais. Artur da Távola
- Postado por: Drica Oliveira às 23h13
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O amor é o murmúrio da terra quando as estrelas se apagam e os ventos da aurora vagam no nascimento do dia... O ridente abandono, a rútila alegria dos lábios, da fonte e da onda que arremete do mar... O amor é a memória que o tempo não mata, a canção bem-amada feliz e absurda... E a música inaudível... O silêncio que treme e parece ocupar o coração que freme quando a melodia do canto de um pássaro parece ficar... O amor é Deus em plenitudea infinita medida das dádivas que vêm com o sol e com a chuva, seja na montanha, seja na planura a chuva que corre e o tesouro armazenado no fim do arco-íris. (Vinícius de Moraes) Claro que não acontecerá nada demais, a natureza e a humanidade seguirão seu curso Algumas pessoas se amarão com loucura outras pessoas se odiarão com aparente ternura... Bilhões de orgasmos celebrarão novas vidas, crianças chorarão e morrerão de fome homens se matarão de forma competente e depois rezarão a um Deus boníssimo e serão perdoados e abençoados com graças mil. Alguns continuarão pensando um universo criado por um roteirista e diretor executivo da vida. Outros acreditarão no caos como a causa das causas. E sempre haverá os poetas que não sabem nada e escrevem sobre tudo. Enfim se eu morrer amanhã a vida continuará como se eu não houvesse existido Mas só aparentemente.... Porque por omissão ou intervenção eu continuarei fazendo parte do movimento que provoquei no acontecer da vida E dentro do movimento absoluto da vida estão os frutos do amor . Por isto se eu morresse amanhã nada aconteceria porque em verdade eu não morrerei nunca me perpetuarei como parte das vidas que gerei e serei eterno como a matéria que me forma e... pressinto que vou continuar amando! CHICO XAVIER
- Postado por: Drica Oliveira às 23h13
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Motivo
Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: - mais nada. Cecília Meireles
- Postado por: Drica Oliveira às 23h12
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Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face? Cecília Meireles
- Postado por: Drica Oliveira às 23h11
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